04/05/2021

O CARRO SEM MISTÉRIOS

THE CAR WITHOUT MYSTERIES

MANUTENÇÃO AUTOMOTIVA



Caro leitor, se o carro ou os carros que estão em sua garagem são novos e foram comprados zero quilômetro ótimo, parabéns. Então apenas observe as recomendações escritas no manual do proprietário e compareça à concessionária no tempo estipulado para as revisões, seja por tempo ou quilômetros rodados, o que vencer primeiro.



Porém, se o seu carro ou seus carros são usados, antigos, ou foram adquiridos "em segunda mão" e você não é um expert em mecânica automotiva, não se liga muito nesses assuntos, salvo melhor juízo, vale  a pena dedicar um tempinho lendo algumas dicas aqui comentadas. Oxalá lhe sejam úteis em algum momento.


MANUTENÇÃO SEM MISTÉRIOS

A manutenção preventiva é uma forma eficaz e econômica de manter o seu carro em bom estado, ajudando na redução no consumo de combustível e de todos os componentes do veículo, prevenindo eventuais panes que possam surgir eventualmente,  além da valorização na hora da revenda.

Basicamente não existe uma data específica para isso, tudo vai depender do tipo do seu carro, regime de uso, se apenas para passeios ou a trabalho, se é usado em estradas esburacadas, com  muita poeira, cargas pesadas, se é blindado, se usado em trânsito pesado com muito congestionamento etc. Entre diversas verificações simples citamos : o nível de óleo do motor, nível da água do radiador, pastilhas de freio, faróis, lanternas, piscas e pneus inclusive o estepe.



FUSÍVEIS

O fusível é uma pecinha bem pequena e barato. Ele é um verdadeiro "anjo da guarda" dos circuitos elétricos. Eles são coloridos, de acordo com a respectiva amperagem, ex: 20A, 30A, 50A etc.

Tentando simplificar: O fusível é uma pequena peça que suporta um determinado limite de corrente elétrica e quando esse limite é ultrapassado, o filamento metálico se funde, (o fusível queima) evitando assim um problema maior ao automóvel. Ele evita uma sobrecarga elétrica no circuito. Geralmente a caixa de fusíveis fica sob o painel do veículo e em carros mais modernos pode ficar no compartimento do motor. Todo o circuito elétrico de um carro passa obrigatoriamente por essa caixa.

Imaginemos que certa manhã, você entra no carro e percebe que o farol não acende, a lanterna não pisca, ou o  rádio não funciona, calma não entre em pânico, antes de pedir socorro lembre-se de dar uma olhada na "caixa de fusíveis". Observe com cuidado e confira se o pequeno filamento metálico, uma delgada lâmina metálica está rompida. Caso sim, basta remover esse fusível e substitui-lo por outro da mesma cor, da mesma amperagem. E como num passe de mágica o que não estava funcionando voltará a funcionar.


O mais importante: nunca coloque um fusível com a amperagem maior do que o que queimou. Pois ele não irá cumprir sua missão, vai haver superaquecimento no circuito, danos a equipamentos, podendo até chegar a um incêndio. Caso o fusível trocado adequadamente volte a queimar, então esse sinal de alerta diz que se deve procurar um profissional eletricista.



Nos carros antigos, os fusíveis pode ser de vidro, de plástico ou de cerâmica mas o processo é o mesmo. Uma boa dica é sempre manter alguns fusíveis de reserva no porta luvas. Nem sempre estamos trafegando no centro da cidade.


VELAS DE IGNIÇÃO

As velas de ignição são responsáveis por criar uma faísca (centelha) dentro da câmara de combustão do motor, ou seja, ela explode a mistura de ar e combustível empurrando o pistão para baixo e assim movimentando o motor.




As velas trabalham em condições extremas, por isso é imperioso se ficar atendo e verificar o estado geral delas.


Uma boa norma, é a verificação do estado das velas a cada 15.000 km rodados. Os carros antigos com motor carburado usam velas "convencionais". Veículos modernos com injeção eletrônica usam velas "resistivas". Carros de corrida usam velas apropriadas para competições.

Permanecer com velas desgastadas, sujas ou carbonizadas irá causar problemas no funcionamento do motor como: dificuldade na hora de dar partida, desempenho baixo do veículo, aumento do consumo de combustível, além de aumentar os níveis de gases poluentes no meio ambiente, expelido pelo escapamento. Não esquecendo do detalhe agravante, que no Brasil nos é oferecida uma gasolina de baixa qualidade.

Também como parte do sistema de ignição os Cabos de Velas devem ser inspecionados. Se o cachimbo de conexão não está oxidado, fios partidos etc.


SISTEMA DE ARREFECIMENTO

Os felizes proprietários de Fusca, Karmannghia, Sp2 etc. carros equipados com motor Volkswagem refrigerados a "ar", não precisam se preocupar, mas se o seu carro é refrigerado à água, vale a pena ler esses conselhos.


A partir do momento que funcionamos o motor de um carro, acontecem explosões devido a queima do combustível e a temperatura atinge níveis altíssimos. Para que não haja fusão ou derretimento de alguns componentes, o sistema de refrigeração entra em ação, para manter a temperatura ideal e o veículo funcionar sem problemas. Mantendo a temperatura entre 90* e 110* graus Celsius.


Para exercer sua função, o sistema de arrefecimento depende basicamente de algumas peças que trabalham em conjunto. São elas: o radiador, bomba d'agua, ventoinha, sensor de temperatura, mangueiras e o líquido refrigerante, composto de 50% de água desmineralizada e 50% de aditivo.

Nos carros antigos, até os anos de 1980, o "sistema era aberto" e o fluido evaporava-se facilmente. Por isso era comum se ouvir  que era preciso "colocar água no radiador". Atualmente, o sistema é de "fluxo fechado e pressurizado", o que impede que o líquido refrigerante se evapore.


DICAS: 

- Periodicamente, verifique o nível do líquido no reservatório com o motor frio. Se estiver muito baixo, é possível que exista algum vazamento.

- Nunca complete o nível com água comum, pois ela possui elementos químicos que irão corroer alguns componentes.

- Pelo amor de Deus. Quando for abastecer o seu carro e o frentista disser que vai verificar o nível da água e quiser completar o reservatório, não aceite, pois o motor está quente e o líquido está circulando, espalhado dentro do motor e consequentemente o nível estará abaixo do normal. Caso seja completado nessas condições o volume circulante será maior que o suportável pelo sistema e certamente irá provocar danos e o sistema irá tentar expulsar o excedente pelo orifício de segurança e esse sangramento provocado pela pressão  excessiva deixará o nível realmente a baixo do normal.


PASTILHAS DE FREIO

Nos carros antigos o sistema de frenagem era no estilo "freio a tambor" e o uso de lonas de freio. A partir da década de 1970, os carros aqui no Brasil passaram a ser equipados com "freio a disco" com sistema de pinças e pastilhas, oferecendo assim muito mais conforto e segurança.



As pastilhas de freio, são itens que precisam estar no melhor estado possível de conservação, afinal, elas são as responsáveis pela frenagem de um veículo e consequentemente, pela segurança.



O desgaste das pastilhas está diretamente relacionado com o tipo do veículo e o uso deste, como por exemplo: em um veículo usado para passeio, usado profissionalmente em transito lento, transporte de cargas, aumento do peso original por blindagem ou em competições esportivas. Normalmente, os fabricantes indicam um período médio para a troca preventiva das pastilhas.

A maioria dos carros modernos contam com uma sinalização no painel que indica o desgaste das pastilhas. Porém deve-se ficar atento a ruídos estranhos ao frear, desconforto no pedal do freio, levar mais tempo para parar etc.
Normalmente as pastilhas devem ser revisadas a cada 15 mil km rodados. Ao exame visual, quando a espessura das pastilhas estiverem com menos de 50% na sua espessura, já é hora de troca-las. O uso de pastilhas desgastadas irá provocar danos ao disco de freio e outras peças, provocando um prejuízo muito maior.



PONTO DE VISTA

Quando nós provamos ou conhecemos algo de bom, logo queremos compartilhar com os amigos. Bem, pelo menos um bom amigo age dessa maneira.


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05/04/2021

RENAULT DAUPHINE - O HERDEIRO DO TRONO.

 RENAULT DAUPHINE - THE HEIR TO THE THRONE.

RENAULT - DAUPHINE

Em março de 1956, era apresentado no Palais de Chaillot, em Paris, o RENAULT DAUPHINE. O nome Dauphine é o feminino de DAUPHIN, título francês que significa "Herdeiro do Trono".  As fronteiras do Dauphine eram extensas. Além da França, foi produzido em outros países da Europa, México, Argentina, Nova Zelândia e, claro no Brasil.

Aqui no Brasil quem produzia e vendia o Dauphine era a Willys Overland do Brasil que desde 1952, fabricava a linha JEEP. Nesse acordo, a empresa francesa tinha 10% do faturamento e permitia a produção dos carros por meio da transferência de tecnologia.


O Dauphine chegava para substituir o Renault 4CV, um modelo barato, robusto e compatível com a austeridade do pós-guerra reinante na Europa. O Dauphine, então herdara o trono. 


O RENAULT - 4 CV
A denominação Renault 4 CV, vem da expressão "Cheval Fiscale" o que significa Potência Fiscal. Seu desenho foi inspirado no famoso Besouro da Volkswagen. Esse projeto foi executado secretamente nos porões da Resistencia Francesa durante a ocupação Nazista na II Guerra Mundial.  Terminada a guerra o carro foi apresentado em 1946, no Paris Motor Show.
No início da produção os carros eram pintados apenas na cor Amarelo Areia, com tintas excedentes deixada pelo  exército alemão. Essa cor de tinta  era usada em veículos militares no Afrika Corps comandada por Rommel, no norte da África.



Muitos desses carros  foram exportados para o Brasil, onde logo foi apelidado como "Renault Rabo Quente" por seu motor traseiro, uma novidade por aqui na época e antes da chegada do Fusca Volkswagen. A importadora era a Companhia Comercial e Marítima "Auto Geral" na cidade do Rio de Janeiro, que a partir de 1957, tornou-se uma importante concessionária da DKW Vemag.

Esse exemplar  na cor verde, impecavelmente restaurado, pertence a um colecionador aqui no Brasil.



O DNA FRANCÊS CHEGA AO MERCADO BRASILEIRO.

Aqui no Brasil o Dauphine foi lançado no final de 1959, chegando ao mercado em janeiro de 1960, trazendo as mesmas qualidades que o fizeram conquistar milhares de  clientes pelo mundo afora: desenho elegante, espaço interno razoável, bom acabamento, estrutura monobloco, suspensões independentes nos eixos e baixo consumo de combustível, que era a sua principal arma de propaganda, a economia  garantida pelo desempenho do motor Ventoux de 845 cm3, 26 cv e câmbio com 3 velocidades.




Outro detalhe diferencial eram suas 04 portas, opção que o projetou como TAXI, que outrora era conhecido pela população, principalmente nas regiões Norte e Nordeste como "carro de praça" ou "carro de aluguel". O uso da denominação TAXI só viria ser incorporado no vocabulário popular depois da metade da década de 1960.

O RENAULT - GORDINI.



Chega julho de 1962, e a família cresceu com a chegada do GORDINI. Na realidade  o carro era um Dauphine (requentado) com motor mais potente com 40 cv, câmbio com 04 marchas e mais adiante em 1966, a oferta de freio a disco na dianteira, acessório que a Volkswagen  só iria oferecer no final da década de 1969.




O painel oferecia uma gama de opções, radio e um detalhe a mais  era a buzina dupla, onde no botão de acionamento o motorista tinha a opção de buzina de estrada e buzina de cidade.


Sob o capô dianteiro, um porta bagagem  com espaço razoável e com compartimento para a bateria.



Motor com 40 hp e refrigerado a água.



Mas nem tudo era festa. A estrutura desses carros projetados na Europa não suportaram os rigores das estradas e  pavimentos das  ruas nas cidades brasileiras. E logo estavam se desmanchando e cheios de ruídos. Nas arrancadas mesmo normais, os eixos traseiros balançavam assustadoramente e as rodas traseiras também.

Mas para nós hoje antigomobiistas, na época adolescentes e "pseudos engenheiros de fundo de oficinas"  logo apresentávamos as soluções, ideias inteligentes e engenharia de fundo de quintal. Por exemplo: para solucionar o problema da instabilidade dos eixos traseiros, foi idealizado um TENSOR.  Esse tensor constituía de um varão de ferro com no mínimo 01 polegada de diâmetro com uma braçadeira (alça) na ponta que literalmente abraçava o eixo traseiro e a outra extremidade era fixada com uma chapa e parafusos no chassis do carro. Com esses tensores estava solucionado o problema e até  dava um ligeiro toque esportivo para quem olhava por baixo do carro.


As linhas na cor laranja  mostram onde eram fixados os tensores em ambos os eixos traseiros.

Outra vista do esquema como eram montados o tensores. Na cor vermelho o tensor.




O RENAULT - TEIMOSO.

O RENAULT TEIMOSO, foi uma versão totalmente despojada na tentativa de desbancar outro carro popular que era o FUSCA PÉ DE BOI que estava sendo produzido pela Volkswagen. O Teimoso era tão pobre de requintes que abria mão dos cromados, iluminação interna, marcador de combustível, retrovisores externos, sinaleiras de direção e acreditem até o limpador de para-brisa do lado direito era suprimido. Era de uma rudeza impressionante. Notem que a única luz na traseira do carro era a iluminação da placa.

Nessa onda de  carros populares a tentativa do governo era proporcionar uma condição de compra viável  para que  as  classes menos abastadas pudessem adquirir um veículo mais barato e financiado pela Caixa Econômica Federal. Com esse mesmo objetivo, além do VW Pé de Boi, a  DKW lançou o PRACINHA e a Simca lançou  o PROFISSIONAL. Mas nenhuma dessas opções vingou. O preço não era digamos  tão distante de um  modelo normal de série e a grande verdade, é que o povo brasileiro é apaixonado por automobilismo, curte carros e não abre mão do conforto e elegância de um bom automóvel.


O RENAULT - 1093.

Chegava o ano de 1964, trazendo um novo lançamento o Renault 1093. Com um motor apimentado com 42 cv , suspensão traseira rebaixada, conta giros no painel e a novidade dos pneus cinturados recém lançados aqui no Brasil pela Pirelli. Tudo isso eram novidades no nosso mercado de automóveis. Além do fato do carro emitir  um lindo ronco esportivo característico que agradava a todos e fazia torcer o pescoço quando passavam.
















O Renault 1093 fez muito sucesso nas pistas competindo entre as Berlinetas Interlagos também da Willys.


Esse estilo esportivo do Renault 1093 foi bem aceito pelo mercado aqui no Brasil.



Deixou boas lembranças nas pistas.


Atualmente nos eventos  de veículos antigos, o que mais encontramos é o RENAULT GORDINI, com certeza são sobreviventes dos 40 mil fabricados, diante dos quase 24 mil RENAULT DAUPHINE, 9 mil RENAULT TEIMOSO e 720 RENAULT 1093.


NOVA GERAÇÃO.

Em 1967, a Ford comprou a Willys e ganhou no pacote um grande presente, o projeto "M". Era o projeto de  um carro médio que a Renault e a Willys desenvolviam na França para substituir o Gordini. Nascia então R12, que aqui no Brasil levou o nome de FORD CORCEL mantendo assim o DNA Renault por mais algumas décadas.


FORD CORCEL

Esse exemplar já premiado em eventos, pertence ao sócio do CCARN  Ivaldo Moura.


* PONTO DE VISTA 

O charme dos carros antigos ou seja aqueles fabricados nas décadas de 1950, 1960, 1970, era que cada um tinha o seu próprio design, sua individualidade. Tomamos como   exemplo, o Fusca VW, o  DKW, o Karmannghia, o Aero Willys, o Simca  etc. Na atualidade todos esses  carros que nós antigomobilistas chamamos de "Carros de Plástico" ou Plastimóvel são todos iguais, sem personalidade a começar pelas cores, a grande maioria é na cor branca, prata ou preta.

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21/03/2021

KARMANNGHIA-DACON - UMA LENDA DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO.

    A LEGEND OF BRAZILIAN AUTOMOBILISM.

KARMANNGHIA - DACON.


O Karmannghia VW, foi apresentado no Brasil em 1962, sendo o terceiro carro lançado pela Volkswagen em nosso país. Produção que se tornou viável devido aos esforços do presidente da empresa FRIEDRICH SCHULYZ-WENK.  Ele foi quem convenceu a Wilhem Karmann Gmbh a construir a primeira fábrica desse esportivo fora da Alemanha. 

Fábrica em São José dos Campos - SP.


Um carro com etilo Italiano combinando o design da Karmann e o estilo do estúdio Italiano Ghia além da qualidade de construção Alemã. Tudo era montado artesanalmente por técnicos brasileiros treinados na Alemanha, na nova fábrica instalada a apenas 02km da unidade da VW , em São Bernardo do Campo estado de São Paulo.


O KARMANNGHIA-DACON.

O cupê envenenado que protagonizou um dos períodos mais românticos do automobilismo brasileiro e foi pilotado além de outros, pelos irmãos WILSON E EMERSON FITTIPALDI.  Entre os apaixonados por automobilismo e a mídia especializada, ele ficou conhecido como o KARMANNGHIA-DACON.


Este é um dos quatro Karmannghia/Porsche que integravam a EQUIPE DACON.


A DACON  (Distribuidora de Automóveis, Caminhões e Ônibus Nacionais) foi fundada em 1960. Tendo a sua origem na Comercial Lara Campos, antiga concessionária DKW. A empresa DACON, tornou-se famosa sob o comando do engenheiro Paulo Aguiar Goulart, o gênio por trás dos carros mais reverenciados no automobilismo nacional, o Karmannghia Dacon.  


Detalhe destacando os seus pilotos. Wilson e Emerson Fittipaldi e José Carlos Pace.


As rodas (Kronprinz) vinham do Porsche 904.


Na foto da traseira, chama a atenção a bitola larga das rodas  que suaviza o acréscimo de torque e potência do motor. O resultado estético ficou primoroso, mas existia um grande detalhe o grande  peso do motor, cerca de 70 kg a mais do que o motor do Fusca que era na época um concorrente nas pistas.  Com o peso total  de 815kg, o Karmannghia sofria muito  para chegar aos 118 km/h e gastava meio minuto para chegar a 100km/h. Era um desempenho muito inferior comparado aos Willys Interlagos (Berlinetas) que estavam imbatíveis nas competições. E isso foi o desafio para disparar a engenhosidade de Paulo Goulart.

Goulart era amigo de Christian Heinz (BINO) um paulistano de origem Alemã  e que já havia disputado provas na Europa pilotando um Porsche 356. Essa amizade e a ajuda foi decisiva para que Goulart iniciasse a importação de motores Porsche com 95cv. Os sistemas de direção e freios eram perfeitamente compatíveis e a adaptação do motor Porsche exigia apenas um reforço na suspensão.

* BINO o amigo inseparável de Goulart faleceu em 1963, vítima de um acidente disputando as 24 horas de Le Mans na França.

Logo, os primeiros resultados obtidos foram excelentes nas acelerações, retomadas rápidas e velocidade final superior a 180km/h.  O entusiasmo foi tanto, que o piloto Chico Landi convenceu Goulart a inscrever o Karmannghia nas III 100 Milhas da Guanabara no ano de 1964, na qual o carro venceu a prova. Surgia aí uma das escuderias de maior importância no automobilismo brasileiro.

O adesivo da Escuderia Dacon.


No painel vemos a instrumentação completa vinda do Porsche 356.


Em 1966, a EQUIPE DACON voltou às pistas com o piloto José Carlos Pace (MOCO)


Posteriormente com a construção de uma nova carroceria em fibra de vidro, projetada pelo piloto e projetista Anisio Campos, o peso do carro caiu de 815 para 650kg.



No total foram montadas 18 unidades do KG-Dacon e uma delas para uso pessoal de Paulo Goulart.

O motor era longitudinal com 04 cilindros opostos, 1.966cm3 e 130cv. Duplo comando de válvulas, alimentado por 02 carburadores de corpo duplo. Câmbio com 05 marchas.


Anisio Campos um verdadeiro "MAGO" na arte de design no automobilismo brasileiro.


Diante de muitas limitações orçamentárias o lendário Karmannghia-Dacon, foi aposentado mesmo  no auge de suas conquistas após chegar nos três primeiros lugares nos 1000 Quilômetros de Brasília em 1967.

A empresa DACON seguiu como representante Porsche e também como referência na personalização de  carros Volkswagen até o encerramento definitivo de suas atividades em 1996.



O icônico Porsche que inspirou o genial Paulo Goulart.


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07/03/2021

08 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

08 DE MARÇO - DIA INTERNCIONAL DA MULHER. 

 MARCH 08  INTERNATIONAL WOMEN'S DAY.


A história  tem nos mostrado que a figura da mulher sempre esteve presente contribuindo e ainda contribui para o desenvolvimento do setor automobilístico. Desde a invenção de acessórios, itens de segurança, design interno e externo, além das incríveis  proezas nas pistas de competições.

Isso nos motivou a prestar essa singela homenagem citando alguns exemplos de mulheres geniais, por ocasião da celebração internacional do seu dia.


LUZES DE SETA E DE FREIO - Florence Lawrence.

Os aficionados por cinema talvez já tenham ouvido falar de Florence Lawrence. Esta canadense, nascida em 1886, é considerada a “primeira estrela do universo cinematográfico” e desfrutou do ápice de sua carreira na década de 1910. O que não costuma ser contado sobre ela, no entanto, é que foi a inventora das luzes de seta e de freio dos automóveis.

Até então, motoristas faziam gestos com os braços pelas janelas para indicar que iriam fazer uma curva. Florence desenvolveu uma dupla de bandeirinhas para serem fixadas atrás dos para-lamas. Quando ativada por botões elétricos dentro da cabine, uma bandeirinha se levantava, indicando a direção da curva a ser feita. Na traseira, uma placa com a palavra “Stop” (pare ou parada) era ativada automaticamente quando o pedal de freio era acionado.

LIMPADORES DE PARA-BRISA - Mary Anderson.

Em 1902, Mary Anderson visitou Nova York durante o inverno e, saindo para dar uma volta de bonde, ficou impressionada pela forma como o clima interferia no trânsito. Ela desenhou em seu caderno, então, um projeto que consistia em um limpador parecido com um rodo do lado de fora do vidro do bonde, com uma manivela do lado de dentro da cabine.

Mary patenteou a invenção no ano seguinte, mas, naquela época, poucas pessoas precisavam daquilo. Poucas eram donas carros e o para-brisa era apenas um acessório removível que algumas escolhiam instalar. Quando os limpadores de para-brisa finalmente se tornaram populares para os automóveis, outras patentes semelhantes, que eram mais recentes, acabaram por tomar o lugar daquela de Mary Anderson. Até hoje, no entanto, o funcionamento do dispositivo é basicamente o mesmo pensado por ela, no início do século passado.

A PRIMEIRA VIAGEM EM UM CARRO DE PASSEIO - Bertha Benz.

A Alemã Bertha Benz é relatada na história como  a primeira mulher a realizar uma viagem em um  carro movido à  "gasolina". Em 1888, ela usou um dos protótipos de 03 rodas que o seu marido, Karl Benz, desenvolvera, os Motorwagen,. Com a intenção de visitar a sua mãe, Bertha percorreu uma distância de 106 quilómetros e durante o trajeto parava nos vilarejos para comprar "LIGROÍNA" , um solvente destilado do petróleo para abastecer o veículo. Atualmente Bertha Benz é considerada uma  mulher pioneira no desenvolvimento da indústria automobilística e junto ao seu marido são os responsáveis pela projeção da MERCEDES-BENZ.



HALL DA FAMA - Denise McCluggage.


O Hall da Fama Automobilístico foi criado nos Estados Unidos em 1939, para homenagear personalidades que contribuíram para a história do setor. Atualmente a instituição possui cerca de 300 nomes de homenageados  e entre eles está DENISE McCLUGGAGE jornalista de automobilismo que foi indicada em 2001, sendo a primeira pessoa do jornalismo a receber essa honraria.

DESIGNER DE INTERIORES - Tisha Johnson.

TISHA JOHNSON é designer chefe de interiores da  marca Sueca Volvo. Ela também é a autora de um projeto de assento infantil usado em carros de passeio, que tem a capacidade de realizar um giro de 360 graus.


DESIGNER DA NISSAN - Diane Allen



DIANE ALLEN é Diretora Sênior da Nissan em San Diego, na Califórnia - USA.  Ela trabalha na empresa desde o ano de 1984.



Em seu curriculum Diane acumula diversas premiações pelo desempenho do seu trabalho, inclusive o Gold Award  for Industrial Design Excellence.



TOP FUEL - Shirley Muldowney.



O TOP FUEL é uma categoria esportiva que faz parte do   Drag Race, uma modalidade de prova  disputada dos Estados Unidos, na qual o piloto pode alcançar uma velocidade de mais de 500km/h, percorrendo uma distância de 305 metros em menos de 4 segundos, que é o tempo médio que dura uma prova. Em 1977 SHIRLEY MULDOWNEY, foi a vencedora pela primeira vez. Três anos depois Shirley, mostrou que esse feito não era o suficiente o bastante para ela e voltou a vencer mais duas vezes, se tornando a primeira pessoa no mundo a conquistar esse feito.

ANTIGOMOBILISMO - Olga Paravani.

 A brasileira OLGA PARAVANI  é médica e Presidente da Sociedade Feminina de Autos Antigos (SFAA). Grande colecionadora de carros antigos entusiasta do antigomobilísmo. Olga foi a responsável pela criação do mais famoso evento de autos antigos  no Brasil que se realiza anualmente na cidade de Águas de Lindóia - SP.



ANTIGOMOBILISTA - IN MEMORIAM


Sra. TITI DANTAS é a Presidente de Honra (In memoriam) do Clube de Carros Antigos do Rio Grande do Norte (CCARN). Sempre foi um exemplo como   entusiasta, incentivadora e uma grande apoiadora do antigomobilísmo no Rio Grande do Norte. Nossa eterna homenagem.



                                                               _ _ _

A MULHER CONTEMPORÂNEA PODE CELEBRAR HOJE SUAS VITÓRIAS ACUMULADAS, COMO SUA INSERÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO, AMPLIAÇÃO DE SUA LIBERDADE SEXUAL E REPRODUTIVA, A CONQUISTA DA INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA E DOS DIREITOS POLÍTICOS.


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